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A leucemia é a doença maligna mais comum na infância.

O câncer infantil, em geral, acomete as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Na leucemia, há um acúmulo de células anormais, que não completaram a sua maturação na medula óssea. Elas acabam por prejudicar ou impedir a formação dos glóbulos brancos (responsável pela defesa do organismo contra infecções), glóbulos vermelhos (que levam oxigênio dos pulmões para abastecer os tecidos) e plaquetas (células especializadas em estancar sangramentos).

De acordo com o grau de maturação das células defeituosas a leucemia é classificada em subtipos que facilita o estudo da evolução da doença e resposta a novos tratamentos:

  • Leucemia Linfóide (LLA) é o tipo mais comum em crianças correspondendo a 75% das ocorrências. Conta com alto índice de cura, chega a 80% dos casos.
  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é menos comum em crianças, com índice de ocorrência em torno de 25% do total de casos de leucemia infantil.
    O que dificulta o diagnóstico por médicos não-especialistas é que os sintomas são parecidos com os de outras doenças da infância: febre, dor no joelho (que pode ser confundido com a chamada "dor de crescimento"), palidez e aparecimento de manchas roxas pelo corpo. A suspeita pode ser reforçada por um exame de sangue. Se houver alteração significativa no número de leucócitos (glóbulos brancos), o médico deve pedir o mielograma, exame feito por meio da punção do líquido da medula óssea, para confirmar o diagnóstico.

Tratamento
Algumas crianças com leucemia estão criticamente doentes quando fazem o diagnóstico, por exemplo:
  • A falta de glóbulos brancos normais podem levar a infecções muito graves
  • Os níveis baixos de plaquetas podem causar hemorragias
  • Baixos níveis de glóbulos vermelhos podem diminuir a quantidade de oxigênio para os tecidos como coração e cérebro, aumentando o trabalho do coração para manter esses órgãos oxigenados.

Estes problemas devem ser abordados antes do tratamento iniciar. Antibióticos, transfusões de plaquetas e de glóbulos vermelhos podem ser administradas para tratar ou prevenir algumas dessas condições.

Cirurgia
A cirurgia tem um papel muito limitado no tratamento da leucemia, pois as células doentes invadem os órgãos e ainda não se consegue chegar a cura por meio deste procedimento. Além de uma possível biópsia do linfonodo, a cirurgia raramente tem qualquer papel ainda no diagnóstico, uma vez que o mielograma ou a biópsia de medula óssea é quem geralmente detectam a doença.

Muitas vezes, antes da quimioterapia, é necessário a utilização do cateter venoso central ou outro dispositivo venoso.


Radioterapia

Geralmente utilizada em combinação com a quimioterapia, a radioterapia pode ser um tratamento eficaz para órgãos invadidos por células doentes, como o sistema nervoso central e testículos. Também é usada (raramente) para tratar um tumor que está comprimindo a traquéia (síndrome veia cava superior, veja no item como a leucemia é diagnosticada).

A radioterapia também pode fazer parte do tratamento combinado com quimioterapia para tratar a medula óssea doente antes do transplante de células tronco hematopoiéticas alogênico (TCTH).


Quimioterapia
A quimioterapia é a utilização de um conjunto de medicamentos para combater a leucemia. O primeiro objetivo do tratamento é alcançar o controle da doença: remissão. Quando esse objetivo é alcançado, o paciente não apresenta mais sinais ou sintomas e não existe evidência de blastos leucêmicos no sangue ou na medula óssea. A hematopoese é restaurada e com isso a contagem das células sanguíneas retorna a níveis normais.

A maioria dos pacientes recebe inicialmente a administração de quimioterapia intensiva para se atingir a remissão e várias medicações são associadas ao tratamento da criança. O tratamento utiliza diversos quimioterápicos em ciclos, com cada período de tratamento seguido por um momento de descanso para permitir ao corpo tempo para se recuperar.


Quais as taxas de sobrevida da leucemia em criança?

A taxa de sobrevida em 5 anos para a leucemia linfóide aguda (LLA) em crianças tem aumentado muito ao longo do tempo e está agora em patamares de mais de 80% do total de pacientes. A sobrevida da leucemia mielóide aguda (LMA) também tem aumentado ao longo do tempo, e agora está na faixa de 50% a 70%


Fatores de risco para leucemia em criança
Fator de risco é algo que afeta sua chance de adquirir uma doença como o câncer. Entretanto, ter um fator de risco ou mesmo vários fatores de risco não significa que você vai definitivamente ter a doença, e muitas pessoas que a desenvolvem podem não ter tido qualquer fator de risco conhecido. Alguns fatores de risco conhecidos para a leucemia em criança:


Síndromes hereditárias

Síndrome de Li-Fraumeni: esta é uma condição rara causada pela mutação no gen p53, um gene supressor de tumor. Pessoas com esta mutação têm um risco aumentado de desenvolver vários tipos de câncer, incluindo leucemia, sarcomas de tecidos moles, câncer de mama e tumores cerebrais.

Síndrome de Down (trissomia 21): são muitas vezes mais propensos a desenvolver LMA.

Síndrome de Klinefelter: ligada a um risco ligeiramente aumentado de desenvolver leucemia.

Várias outras doenças genéticas como neurofibromatose e anemia de Fanconi também carregam um risco aumentado de leucemia, bem como outros tipos de cânceres.

Doenças Imunológicas: crianças com certas doenças hereditárias, como a ataxia telangiectasia, síndrome de Wiskott-Aldrich e Síndrome Bloom podem nascer com problemas no sistema imunológico, aumentando o risco de contrair infecções graves ou mesmo de desenvolver leucemia.

Irmão (ã) com leucemia: irmãos de crianças com leucemia têm uma chance ligeiramente maior (2 a 4 vezes do normal) de desenvolver leucemia até os 7 anos de vida, sendo que o risco é muito maior entre os gêmeos idênticos. Ter um pai que desenvolveu leucemia na idade adulta não parece aumentar o risco de uma criança desenvolver a doença.

Estilo de vida: alguns estudos sugerem que a mãe que bebe muito álcool durante a gravidez pode aumentar o risco de leucemia em seu filho, mas nem todos os estudos têm encontrado tal ligação.

Fatores de risco ambientais: exposição a níveis elevados de radiação é um fator de risco para leucemia infantil, como os sobreviventes da bomba atômica. O feto exposto à radiação nos primeiros meses de desenvolvimento pode aumentar o risco de leucemia infantil, mas a extensão do risco não é clara. Os possíveis riscos da exposição fetal ou infantil a níveis menores de radiação, tais como raios-x ou tomografia computadorizada, não está bem definido.

Exposição à quimioterapia e a outros produtos químicos: crianças e adultos tratados por outros tipos de câncer com drogas quimioterápicas têm maior risco de ter um segundo câncer, geralmente LMA, alguns anos após o término do tratamento.

Drogas como agentes alquilantes (uma classe que inclui ciclofosfamida e clorambucil) e epipodofilotoxinas (como etoposide e teniposide) têm sido associadas a um maior risco de leucemia. Essas leucemias geralmente se desenvolvem dentro de 5 a 10 anos de tratamento e tendem a ser difíceis de curar.

Supressão do sistema imunológico: pacientes recebendo tratamento intensivo para suprimir a sua função imune (principalmente de órgãos transplantados) têm um risco aumentado de certos tipos de câncer, como linfoma e LLA.


Outros fatores que têm sido estudados para uma possível ligação com leucemia infantil incluem:

• Exposição aos campos eletromagnéticos (como viver perto de linhas de energia)
• Infecções no início da vida
• Idade da mãe quando a criança nasceu
• História de tabagismo dos pais
• Exposição fetal aos hormônios (pílulas anticoncepcionais)
• Exposição do pai a produtos químicos e solventes
• Contaminação química da água subterrânea

Até agora, a maioria dos estudos não têm encontrado forte ligação entre qualquer um desses fatores com a leucemia infantil. Os investigadores continuam a estudar estas exposições.

Algumas perguntas para fazer ao seu médico são:

  • Qual o tipo de leucemia do meu filho?
  • Existem fatores específicos que podem afetar o prognóstico do meu filho?
  • Existem outros testes que precisam ser feitos antes que possamos decidir sobre o tratamento?
  • Quais opções de tratamento que nós temos?
  • Devemos considerar um transplante de células tronco hematopoéticas? Quando?
  • Quais são os riscos e efeitos colaterais do tratamento?
  • Quais os efeitos colaterais que começam logo após o início do tratamento e quais podem se desenvolver mais tarde?
  • Quanto tempo vai durar o tratamento? O que vai envolver? Onde isso vai ser feito?
  • Como o tratamento afetará nossas atividades diárias?
  • Quais são as chances de cura com esse protocolo de tratamento?
  • Que tipo de acompanhamento será necessário após o tratamento?
  • Quais vacinas meu filho não poderá receber?
  • Pode ser útil escrever as respostas para suas perguntas e revisá-las mais tarde. Você pode querer levar um membro da família à consulta médica. A pessoa poderá ouvir, fazer anotações e também oferecer apoio. É importante procurar tratar seu filho em um hospital que possua experiência considerável no tratamento da doença da leucemia infantil.
  • O que esperar após o tratamento do seu filho com leucemia?
  • As principais preocupações para a maioria das famílias são os efeitos colaterais após o tratamento e as preocupações com possível recidiva da doença.

É certamente compreensível querer colocar a leucemia e seu tratamento para trás e voltar a uma vida 'normal'. Mas é importante perceber que o acompanhamento deste processo oferece ao seu filho melhores chances de recuperação em longo prazo.

Por vários anos, após o tratamento, o acompanhamento regular e exames serão muito importantes e os médicos irão acompanhar os sinais da doença, bem como os efeitos colaterais.

Visitas ao médico deverão ocorrer mensalmente durante o primeiro ano, e depois com menos frequência, pelo menos até 5 anos após a terapia. Depois deste período é recomendável a visita ao médico pelo menos anualmente para um “checkup”.

A recidiva da leucemia é mais frequente quando a criança está sendo tratada dentro de um ano, ou então depois de terminar o tratamento. É incomum a recaída se não há sinais da doença por dois anos.

Um benefício de cuidados de acompanhamento é que ele lhe dá uma oportunidade para discutir questões e preocupações que surgem após a recuperação de seu filho. Alguns dos efeitos secundários podem durar por algumas semanas a vários meses, mas outros podem ser permanentes.

Referência: www.abrale.org.br

 
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